A Casa Amarela

Enquanto desço a rua no caminho de volta para casa, da minha caminhada diária, fico imaginando o que encontrarei na próxima esquina se hoje consigo ver alguma coisa nova que me revele algo sobre seus moradores.

Lá está ela bem na esquina, toda imponente, misteriosa e amarela. Diminuo o passo para ganhar tempo e observo cada detalhe mais uma vez. Muro alto todo amarelo entrecortado por um jardim de inverno, que da para um corredor e uma saleta (eu acho porque vejo um sofá). Além das plantas o muro e toda a esquina são rodeados por carros e motos sem nenhum logo ou qualquer coisa que pareça.

No final da esquina, quase junto com a casa, tem uma pequena praça como não tinha nada na saleta fiquei procurando algumas flores e galhos secos, só pra fazer hora. Eu até alonguei ali outro dia, mas foi estranho e as pessoas dos carros ficaram me olhando… Enfim pegar flores é menos constrangedor.

E foi durante esse devaneio que chega um carro sport branco, um BTX? se isso existe, embicando no portão, escondido, da garagem que dá de frente para praça (sorte pura! Eu não sabia que ali era a garagem ele é realmente camuflado /). O carro que estava vindo bem atrás para o trânsito e descem 3 homens, normais com roupas marrons, de forma sincronizada olhando para todos os lados e seguindo para a casa amarela.

Nisso a garagem se abre e o carro entra. Tudo isso foi tão rápido que consegui ver apenas um caminho de pedra que leva para uma garagem que fica embaixo de um dos lados da casa. Do lado esquerdo tem um gramado cercando toda a casa que tem portas de vidro enormes. E meu olho conseguiu alcançar na descida do gramado uma piscina.

Então levei um susto, alguém me tocava no ombro, era um dos rapazes que desceu do carro e começou a me perguntar se eu precisava de alguma coisa, só então percebi que estava a um palmo da entrada do portão. Dou um sorriso amarelo e saiu andando pedindo mil desculpas e retomo meu caminho.

O que será que tem lá dentro? É um bairro residencial, mas essa casa é fora dos padrões sempre com tantos carros e motos parados, parece que tem mais movimentação de empregados do que de moradores…

Ai, ai, ai.. se minha mãe descobre ela me mata!! Preciso parar com essa mania de criança de achar que cada casa guarda sua história… Acho que estou precisando é de férias.

Bjs
Sabrina

Churrasco da Mama

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Durante os anos de convivência acabamos definindo alguns papeis por habilidades ou por comprometimento e presença mesmo. E acabei me dando conta disso só nesse final de semana.

Quando meu filho mais velho nasceu decidi ficar em casa até ele completar dois anos, porém antes disso nasceu a Aninha e antes dela completar dois anos nasceu o Pedro que está hoje com 2 anos e meio. Com essa escadinha em casa já dá para imaginar o que aconteceu, né? Minha estada em casa passou de 2 para 3, 4… enfim ainda não voltei a trabalhar. Com essa escolha, realizada em conjunto, posso curtir meus filhos, minha casa e minha nova vida. Claro que nem tudo são flores, mas até os espinhos fazem parte, não é? Kkkk (pausa para o momento Poliana…)

Assim algumas coisas foram tomando forma e se determinando. Passar, lavar e cozinhar ficaram por minha conta e meu marido teve que trabalhar um pouco mais para pagar as contas. Como ele trabalha viajando, aumento de trabalho significa mais tempo fora de casa, o que reafirmou minhas atividades domésticas. Nas folgas arruma as coisas quebradas, é um paizão e faz um delicioso churrasco uruguaio.

Nesse final de semana eu decidi fazer o churrasco, só porque eu queria comer um churrasquinho diferente, igual eu comia quando era criança cheio de espetinhos! Para não criar caso (depois de alguns anos de casada percebei que as brigas muitas vezes são pura perda de tempo), então como meu maridinho é uma pessoal de sentimentos a flor da pele e falar que não queria seu churrasco iria geral um grande desconforto, igual a drama mexicano ” Por que você não quer meu churrasco? Você não me ama mais Malu Maria… Oh, não! Eu faço de tudo para agradar-te…” e por aí vai… Resolvi me meter a churrasqueira.

E aqui começa minha aventura. Para minha surpresa descubro que não sei ligar ascender a bendita churrasqueira. Lógico eu nunca tinha feito um churrasco na vida!! Como assim? Isso mesmo!! Até hoje em todos os churras que fui ou ofereci tive um indivíduo Y comandando a fornalha.

Pois bem, voltando aos fatos. Tentei de tudo para acender a churrasqueira! Colocar fogo no jornal e colocar no carvão, é eu sei colocar o carvão dentro da churrasqueira, não deu certo; tentei colocar álcool no jornal, fogo e colocar no carvão e o meu fogo apareceu, porém como uma boa atrapalhada que sou quis colocar mais álcool no carvão para aumentar o fogo, meu tio sempre fazia isso e dava certo, e enxarquei meu carvão e o fogo apagou e não queria pegar nunca mais! Um pouco desesperada troquei o carvão ensopado e comecei de novo.

Com o fogo superado bem aceso chegou a hora de colocar a grelha. No começo eu pensei que era só colocar em cima do fogo e pronto… Daí que descobri que existem várias regulagens e que elas estão ligadas diretamente com velocidade que a carne assa e consequentimente com seu sabor. Opto pela regulagem média, afinal o caminho do meio é sempre melhor…

O Cadu marido chegou quando eu estava terminando de colocar os fadados espetinhos sobre a grelha e por um momento ficou um silêncio profundo. Seu olhar ia da churrasqueira com os espetinhos de carne e as asinhas de frango sobre a grelha para a montanha de carvão molhado no chão denunciando minha inabilidade. Por fim ele disse “É parece que o cheiro está bom.” Ufa! Uma tonelada saiu das minhas costas e pude curtir o churrasquinho delícia que estava saindo e dar muita risada da minha inexperiência.

A carne ficou divina exatamente como eu desejava, afinal eu posso nunca ter sido a churrasqueira, mas sempre temperei as carnes!! 😉

Minha Aninha não passará por isso dentro da lista do que uma mulher precisa saber para sobreviver na selva ou na cidade já inclui, além de trocar lâmpada e arrumar chuveiro, como fazer um churras passo a passo.

Beijocas,
Malu

Brigas…

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Detesto brigar!!
Acho que é porque não sei usar a meu favor os acontecimentos… É eu não sou boa de argumentos e muito menos de negociação. Parto logo para as cabeças tudo ou nada, choro ou silêncio.

Ontem meus pais brigaram e eu corri pro meu quarto, como se eu ainda tivesse 3 anos. Coloquei meu fone de ouvido numa música bem alta e me enfiei debaixo das cobertas para me proteger. Tudo porque não ouvir a gritaria.

É um tal de “É VOCÊ… EU? EU NÃO!!! NÃO MESMO!! É VOCÊ!!” e todas as portas batendo. Tenho a sensação de que vou encontrar minha casa destruída quando a briga acabar. E agora será uma semana, ou mais, de cara amarrada um com o outro e conversas monossilábicas com o restante da casa.

Sei que isso faz parte de qualquer relacionamento, mas me dá um medo de ter que viver isso… Quando eu fico nervosa falo muito palavrão e grito, como grito, porém não sei ser fria e racional acabo perdida e muitas vezes me sentindo errada culpada por toda a briga, mesmo quando estou com a razão.

E depois da briga? É pior ainda!! Eu já fico toda angustiada se meu irmão fica sem falar comigo por meia hora, imagina com um namorado ou com um marido? Ai ai ai…Vou pirar!!!!

Meu fim está traçado vou ficar para titia mesmo. É mais seguro e não terei que me expor à ninguém.

Antes a solidão do que a discussão!! Será? Estou precisando voltar pra terapia!! Afe, como essas brigas ainda mexem comigo…

Beijinhos,
Nina

Noite Fria…

Adoro chegar em casa e encontrar a TV desligada, o rádio apagado e a revista no sofá aberta na página que deixei. Nada é mais reconfortante do que o silêncio e a escuridão do meu lar!!

Mas, hoje eu gostaria de ter alguém para deitar no colo e dividir a janta. Meu dia foi tão cheio e estressante que uma companhia seria bem vinda. E me dou conta dessa vontade quando estou fechando a porta de casa e meu telefone toca, com um sorriso no rosto, começo a procurar desesperadamente dentro da bolsa. Quando vejo o identificador de chamadas piscando Valdete, uma das minhas clientes mais pegajosas e dependentes.

Respiro fundo e me jogo no sofá para atendê-la e vou folheando a revista enquanto ela me conta de sua nova aquisição, um espelho colonial, e sua necessidade de uma orientação, já que escolher onde colocá-lo pode mudar a energia do lar. E eu fico naquela de dizer que a casa é dela e que basta ela se equilibrar para que seu lar fique em harmônia. Ela porém, não escutou nada do que eu disse e continuou falando da moldura em patina e da importância de colocar um espelho no lugar certo.

Quando desligo o telefone fico deitada jogada ali sem forças para ligar a luz. Fiz tantas massagens, equilibrei tantos shacaras, escutei tantas histórias que estou exausta. Passou até a vontade de ter alguém.

Consigo juntar forças para tomar banho, bem quente, e demorado o celular toca novamente olho para o identificador e é a Valdete outra vez, mas agora ela terá que resolver seus problemas sozinha, pois eu me recuso a atender, fim de expediente!

O mais difícil desses dias cansativos é comer e dormir, pelo simples fato de não ter disposição para cozinhar, então como kinojo macarrão instantâneo, e dormir sozinha é um suplío, então fico assistindo séries até cair no sono.

Será que minhas clientes continuariam comigo se soubessem que também tenho problemas e que tenho a TV como companhia para dormir? Sei lá é estranho pensar em um dentista banguela ou em um endócrino gordo… Enfim, eu sou gente!

Abraços

Sabrina

Meu Corpo Já Não É Meu…

Se tem uma coisa que me irrita profundamente é a desapropriação do meu corpo.

Todas as românticas do mundo que me desculpem, mas eu odeio dormir de conchinha!! E Cadu meu maridão não só gosta de dormir de conchinha, mas também adora jogar seus 80kg, de pura gostosura, em cima das minhas costas. Com um discurso lindo de que não consegue dormir de outro jeito.

Cadu é meu caixeiro viajante, vive mais fora do que dentro de casa, por isso esse discurso tem um peso bem grande. Afinal é gostoso agradar quando ele está em casa! Mas essa história fica para outro post.

Meu primeiro filho nasceu e com ele eu perdi mais um pedacinho do meu corpo. Meu baby dorme “massageando” o cotovelo da mamãe aqui. Como? Quando eu abraço ele para dormir ele pega a pelinha que sobra no cotovelo.

Ótimo né?! E eu gosto de dormir ESPALHADA na cama!!

Agora imagina só quando meu querido filho vai para a minha cama durante a noite. Conseguiu? Vou ajudar. Meu marido com a metade do corpo em cima de mim e o braço que sobra eu abraço o pequeno e ele fica “beliscando” meu cotovelo. E eu acabo sucumbia e durmo por exautão kkkk

Também o que posso fazer? sou apaixonada por esses dois!!

Beijocas

Malu

Diário de uma Virgem – Como Começou…

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Começou com minha mãe dizendo que mulher que preste não vai para cama com qualquer cara e como eu tenho o habito, péssimo por sinal, em acreditar no que as pessoas acham de mim acreditei piamente que eu sou uma mulher que “preste” e logo sou virgem.

Na bem da verdade não sou virgem por opção, mas sim por falta de opção. Nunca namorei. Aliais acredito muito pouco no meu poder de sedução. De novo meu péssimo hábito me condena, sou aquela que a família considera nerd, enfiada nos livros e que não gosta muito de multidão. Por isso me acho tudo menos bonita e muito menos sensual.

E assim começa minha história, ou saga ou sina, estou no Ensino Médio e todas as minhas amigas já experimentaram da coisa e eu nem tenho pretendente. O problema é que quando você tem 15 anos as pessoas acham legal você esperar alguém especial agora quando os 18 chegam elas já te olham espantadas com cara de “Não Acredito?” .

E olha que eu nem estou esperando um cara super especial só alguém que eu goste e por incrível que pareça eu não consigo gostar de ninguém!! Eu sei, sou esquisita…

Como a esperança é a ultima que morre, sigo esperando encontrar alguém que faça meu coração bater mais forte… Afinal toda panela tem a sua tampa! Só espero não ser uma frigideira kkkkkk e nem frigida! Será que essas palavras tem a mesma origem? Kkkkkk devaneios!!

Beijinhos
Nina

Feminismo ou Uma forma de sexismo

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Estou cansada desse tal de Feminismo!!

Desse feminismo que me deixa menos mulher e mais grosseira. Que procura igualdade onde se define por diferença.

Concordo que essa foi a maneira que, as mulheres, encontraram para valer seus direitos de Ser Humano. Sei também que vivemos em uma cultura desigual e seguimentada, porém será que o respeito por si só não basta? Precisamos realmente desse movimento?

Um movimento que mais julga do que agrega. Por que eu seria menos mulher se fizer a janta que o meu marido gosta? Por que eu seria menos mulher se deixar ele pagar a conta? Qual o problema em ser a responsável pela organização da casa enquanto ele cuida das finanças?

E quando se é mãe as coisas pioram. Esse movimento não sabe se quer um pai ativo ou omisso, fica com o discurso de quem tem “direito” em decidir o tipo de parto ou se a gestação segue ou não é a mulher. Tá então pai só é pai depois que nasce? Realmente é uma situação delicada, afinal tudo acontece no corpo da mulher, mas acredito que vale uma bela discução até chegar a um acordo. Acordo significa consenso e não a mulher dando a última palavra.

Fora os outros julgamentos que passam da escolha do parto e amamentação até a volta ou não da vida profissional. Aqui temos as Feministas Supermães a favor do parto natural, amamentação prolonga e dedicação total à cria. Ah e é claro que a participação do pai é muito bem vinda. E se vc não quer isso? Acaba sendo uma menos mãe e aquele discurso que a mulher tem direito a escolha cai por terra.

Não gosto desse discurso de igualdade, simplesmente porque não somos iguais!! Nem entre o mesmo sexo e muito menos entre sexos diferentes. A diferença nos torna único, por isso sou a favor do RESPEITO

Homens e mulheres funcionam neurológica e fisicamente diferentes, o que não significa que todos não possam executar o mesmo trabalho, mas que cada um tem suas habilidades e o que demanda muita energia para um demanda pouca energia para outro. E qual o problema disso?

Se eu mostrar para meu filho que não é legal enganar as pessoas, que para nós estar com uma pessoa de cada vez é sinal de amor e bem querer, que as pessoas gotam que as tratem bem e que ele não precisa provar nada para ninguém. Não estou sendo Feminista estou apenas ensinando ele a respeitar os outros e a se respeitar.

E se eu colocá-lo para lavar louça, arrumar a cama e a fazer comida. Estou oferecendo condições dele morar sozinho.

E as outras lutas do Feminismo como a violência doméstica e a igualdade salarial também se resolveria com RESPEITO.

Enfim gosto do respeito e da tolerancia as diferenças, sem essa de coisa de homem ou coisa de mulher. Para mim esse tal de Feminismo também é uma forma de sexismo!!

É isso aí!!!